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O Apóstolo Paulo já aconselhou o homem dos SETE e outros dirigentes brasileiros

Publicado
  • sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
  • por
  • Kiko Andrade
  • O técnico campeão mundial de Beach Handball, Campeão dos Jogos Mundiais (World Games) em Taiwan - 2009 e Vice-Campeão Mundial Espanha – 2008 Antônio Hermínio Guerra-Peixe postou um comentário no polêmico post: O handebol brasileiro regride enquanto conta até sete, e me fez lembrar fortemente desses versículos bíblicos.
    Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma." (I Coríntios 6:12).
    Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam." (I Coríntios 10, 23).

    O Apóstolo Paulo disse essas frases, segundo a história bíblica, quando ficou sabendo de divisões, arrogâncias e comportamentos impróprios vindos da igreja de Corinto.

    Antes de tudo, quero deixar expresso o meu respeito pela opinião de Guerra-Peixe. Ele é um campeão mundial e não é todo mundo que tem um currículo desses. Toda e qualquer opinião vinda de uma pessoa com este gabarito deve ser levada em consideração. Entretanto, eu devo discordar ferrenhamente de alguns pontos expostos por ele. O argumento de que as federações e confederações esportivas são órgãos particulares e por tal são imunes a certos questionamentos, é frágil como um castelo de areia e falso como uma nota de três reais.

    Particular até quando for do meu interesse

    Então quer dizer que na hora que a gente aperta as federações e confederações, nós não podemos interferir, pois elas são órgãos particulares, mas na hora de receber financiamento público e isenção de impostos e de ter suas contas pagas com o nosso dinheiro, tudo bem? Se a CBHb é uma empresa particular que deve seguir suas próprias leis, mandos e desmandos, qual o motivo dela utilizar a Lei Agnelo-Piva para a captação de recursos ou depender da Petrobras (uma empresa pública que utiliza dinheiro público) como patrocinador? A Confederação Brasileira de Handebol deveria, então, ter um caixa próprio com fonte de renda própria sem depender do Estado para nada.

    Isso é perigoso, muito perigoso! E a partir do momento que alguém recebe dinheiro público, deve sim, ser questionado, obedecer e respeitar a legislação e sofrer com as conseqüências da má utilização do recurso da União. E esse paradigma é o que a CBF e o COB se utilizam para fazer com que não sejam fortemente investigadas. As duas são entidades particulares, mas adoram se utilizar do dinheiro público, seu e meu. Vide Pan Rio 2007, Copa 2014, Olimpíadas 2016.

    O handebol brasileiro, leitor, não é particular, ele é público! É um esporte! Deveria ser utilizado para inclusão social, para diminuição de doenças, para desenvolver fisicamente as nossas crianças nas escolas e deveria, até, gerar atletas de alto nível para representar dignamente o Brasil em competições internacionais!

    Manoel é culpado, Gesta é culpado, Coaraci é culpado. Todos são culpados e errados! Veja como está o handebol hoje: Sem patrocínio, sem resultados, sem base, sem desenvolvimento nas escolas e sem sedes definidas para um mundial daqui a nove meses. E o atletismo? Quantos casos de doping apareceram? Quantos atletas de nível de final olímpica nós temos? Quantas pistas ideais para treinamento nós temos? E na natação? Se o Cesar Cielo e todos os atletas de nível internacional, não fossem morar e treinar nos Estados Unidos, você acha que eles seriam quem são hoje? Infelizmente essa é a realidade!

    José Sarney na sua cadeira de presidente do Senado

    Os presidentes das federações são covardes sim! Nenhum teve peito de colocar, de verdade, as suas idéias e a sua vontade de promover uma mudança de ares na CBHb. Foram covardes quando aceitaram de forma tão fácil e simples o absurdo que é alguém comandar uma instituição por quase 20 anos. E isso não é uma ofensa, infelizmente eu sinto muito em dizer essas palavras, mas infelizmente, isso é uma constatação! Repito, infelizmente.

    E aí eu volto ao Apóstolo Paulo. Será que convém mesmo querer ficar oito mandatos à frente de uma instituição? Mesmo ele tendo ganhado o terceiro e o quarto mandatos, será que era certo, mesmo sendo legalmente possível, ele concorrer ao quinto e ao sexto e ao sétimo e querer concorrer ao oitavo, em 2013? Será que Manoel Luiz não se deixou dominar pelo gosto de ficar no poder por tanto tempo? Todas as coisas são lícitas, mas será que todas as coisas edificam? Como o handebol brasileiro foi edificado nesses últimos anos, principalmente na base e nas escolas?

    Handebol já foi o esporte mais praticado nas escolas

    Sobre a palavra ditador que eu usei para qualificar o Homem dos SETE, Guerra-Peixe, infelizmente, ela continuará lá. A ditadura não se caracteriza só pelo banho se sangue ou pelo não direto à expressão, apesar de muitas vezes ser assim. E a democracia não se caracteriza apenas por eleições diretas. Para a democracia acontecer é necessário que não haja a concentração de poder nas mãos de uma só pessoa, que os poderes sejam independentes e que o governo mude de mãos de tempos em tempos independentemente da vontade dos eleitores. Isso acontece na CBHb?

    8 Comentários:

    Anônimo

    Gostaria de ver um post comentando sobre a sua contribuição realizada de forma efetiva no hand já que diz que jogou por mais de 15 anos, deve ter ajudado(devido a sua visão) muito na base para conseguirmos obter atletas de qualidade e de um bom nível para representar o nosso país. Aproveite e cite-os neste espaço. Abraços

    joao

    Com relação ao comentario ( 1 ), acima, De autor anônimo(Deve ser um dirigente da "grande CBHb", cheio de coragem), tenho a dizer que, mesmo não conhecendo o autor/dono do Blog, Kiko Andrade, e mesmo que ele não tenha feito nada de forma efetiva nos seus quinze anos como atleta, só o fato dele estar postando sua opinião e escancarando as "malezas" do nosso HANDEBOL, já é uma grande contribuição em prol da modernindade e crescimento do nosso esporte.
    Joao Borja.

    Renato

    Assino embaixo ao comentário de João Borja. Se esconder no anonimato fica fácil, é cômodo. O que vem sendo postado aquí nada mais é que a verdade sobre o handebol de nosso país. Eu ainda sou atleta de handebol, já jogo a 18 anos, e jogo numa cidade com certa tradição do esporte dentro do estado de SP. Mas como a imensa maioria dos praticantes, tenho meu emprego, minha família e levo o handebol paralelamente. E vivo essa decadência do handebol a muitos anos. Localmente, eu tenho feito a minha parte, mas cabe à quem tem mais visibilidade (atletas olímpicos, dirigentes idôneos, técnicos de grandes clubes) se mobilizarem nacionalmente. Fácil fica você se esconder no anonimato e usar da ironia, prá acrescentar absolutamente NADA à discussão. Continue assim Kiko, porque estamos com você.
    PS: Só uma informação adicional, que talvez você não saiba. O presidente da Federação Paulista de Handebol está no cargo desde 1991, ou seja, a 10 anos. E sendo SP o estado que concentra o campeonato estadual que teoricamente é o mais forte e a maior parte dos principais times do país, chegamos ao seguinte cenário: previsão de 7 clubes disputando o campeonato paulista esse ano, e menos filiados que as duas maiores ligas do interior do estado, a LPHand e a LHESP.

    Guerra-Peixe

    Prezado Kiko, (1ª parte)
    Nunca imaginei ser merecedor de uma resposta em forma de postagem. Agradeço de coração.
    Como não sou chegado ao dogma católico e muito menos ao livro máximo, fiquei quebrando a cabeça, pensando em Paulo e nos dois versículos bíblicos citados por você: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm e nem todas edificam. Elas são lícitas, mas não me deixarei dominar por nenhuma”. Terá Paulo, através das frases e do tempo, sido bem interpretado por Kiko? Confesso a falta que me faz um primo ex-seminarista, que de tanta perseguição da igreja, por ser ex, acabou por dar fim à vida. Uma coisa entendi, você utilizou dois versículos, mas depois baixou a madeira com virulência. Iniciou de padre e bateu como nos porões. Vou te acompanhar mais para saber o que predomina.
    Como percebi que você conhece do assunto, gostaria que me desse a sua interpretação para Mateus.5:17 ,18: Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas; não vim para revogar, vim para cumprir, porque em verdade vos digo: "até que o Céu e a terra passem nem um I ou um TIL jamais passará da lei, até que tudo se cumpra."
    Sim, aproveitando Mateus, minha resposta ao seu texto não era pela qualidade do trabalho executado por federações ou confederações, minha disposição era no sentido do Legal. Também abordei a questão do tratamento. Da gentileza. Do saber ser oposição. Mas sempre através da grandeza de opiniões, com nome e CPF. Se não, pensemos no final do seu post O Apóstolo Paulo... “sobre a palavra ditador... ela ficará lá...” Ou seja, você riscou, mas não apagou. Você riscou e deu a entender que a utilização foi equivocada, mas vem aqui e diz que nada mudou. Que você continua a pensar a mesma coisa. Que Manuel é ditador mesmo. Então pergunto: O risco foi por qual motivo? O que está por trás do risco da palavra DITADOR? Concordo com você quando escreve que a ditadura não se dá somente através do banho de sangue... Ela acontece de muitas formas, uma recorrente é através da palavra. Através do uso da mídia para assacar contra a moral de pessoas de bem. Como você pode ver, temos muitos outros usos para a palavra DITADOR (sem riscos, por favor!).
    Em tréplica volto a afirmar: essas instituições, que têm enormes vícios, são particulares. Queira você ou não. O desporto como conceito é público. Entretanto, as instituições dirigentes são particulares. Nasceram dos clubes. E as confederações nasceram das federações. Essas instituições seguem regimentos internos particulares. Vamos discutir esses regulamentos? Vamos mostrar que está errado? Vamos influir para mudar. Mas vamos pela ordem. Precisamos de clubes. Precisamos de federações. Precisamos de confederações. Democraticamente. Veja São Paulo, sinto ar puro de mudança.
    Você justifica suas opiniões com base no fomento. Concordo. Se é particular, então o porquê de utilizar verbas públicas? O problema é está na Lei. É legal. Então passa a ser uma outra história. É preciso corrigir Leis. Vamos fomentar, mas vamos impor regras. Li algo parecido em seu blog ou em algum lugar sobre medida provisória do Lula impondo mudanças nas Confederações para que essas recebam verbas públicas, está correto? Se existe, será uma excelente medida.
    Como estudioso dos desportos tenho certeza que você leu sobre a utilização do desporto pelo Estado ao longo da história. Partindo dessa situação, explicamos muito do que vivemos nos dias de hoje. Alienação, fomento inadequado, busca de resultados x política de desporto, exacerbação de nacionalismo, utilização do público pelo privado e, principalmente, falta de uma política pública para o desporto no país.

    Guerra-Peixe

    (2ª parte)
    Você fala de uma série de coisas e coloca na conta de Manuel Luiz. Vejo um monte de gente bem intencionada falando sobre o desporto escolar, base e etc... Queria estar numa mesa de debate com esse pessoal e perguntar: vocês trabalham em qual escola? Vocês trabalham em qual clube? Contem como funciona onde vocês trabalham? Kiko existem milhares de motivos para estarmos passando o que estamos passando. Vou elencar alguns.
    Você corre o Brasil inteiro e todos falam a mesma coisa: no meu tempo (década de 70) esses ginásios em competições escolares ficavam lotados, hoje tem 5 pessoas assistindo a final... Quem da minha época não jogou com ginásios lotados (5 a 10 mil pessoas)? Mas o que estava por trás? Fomento para calar a classe estudantil. Organização de JUB’s e JEB’s, tudo tem explicação. Hoje vivemos liberdade e... Nada. O fomento ainda existe, mas mudou de endereço e fim.
    A sociedade está “voando”. A garotada está “voando”. O professor (muitos) está em passos de cágado ou correndo de escola em escola procurando horas para ganhar mais um pouco. A escola vê a Educação Física como um problema a ser resolvido (o último). A Educação Física não se encontra no contexto escolar. Espaços escolares dedicados à prática desportiva são derrubados para novas salas de aula. A aula de educação física é transferida para a academia. O aluno não quer (não pode) participar de equipes (tem que estudar). Tem inglês, piano, cursinho, balé, aceleração... Amigo é uma gama de coisas, que estoura lá onde todos querem resultados. Mas tem o atleta maravilhoso. O talento motor. O cara que jogaria qualquer coisa muito bem. Quem disputa esse atleta? Na ordem: Futebol, Voleibol, basquetebol... O Handebol é sempre uma “visão” distante. Concorda? Mas se na escola dele tem um professor que gosta de Handebol, existe uma possibilidade. Mas agora vamos passar para o outro funil. Tem clube próximo? A família abraça a ideia? O garoto está apto a enfrentar todas as dificuldades que encontrará ao longo dessa jornada? E a família? E o sonho de passar para engenharia ou medicina?
    Poderia ilustrar com exemplos de inúmeros atletas de ponta, que abandonaram o Handebol por outra modalidade mais rentável, um dos mais claros foi Hortência do Basquete. Mas tenho um exemplo de alguém que venceu tudo isso e chegou ao bom nível do Handebol. Veja o que aconteceu. Era uma atleta excelente do Rio Grande do Norte. Insistentemente era chamada para equipe de São Paulo. O professor de lá intermediando. Menina empolgada. O assunto chega ao pai. Esse, pergunta para filha: Quanto te ofereceram para você jogar lá? Apartamento com mais 4, universidade e R$1000 reais/mês. O pai analisa a distância e os riscos e manda: Fique aqui na sua suíte, estude na federal do RN e tome R$2000 por semana. O Brasil perdeu um talento.
    Em 2005/2006 o atual Presidente da CBHb me pediu para assistir competições pelo Brasil e ver se conseguia atletas para o Handebol de Areia. Precisávamos renovar. Assisti a uma Taça Brasil e fiquei impressionado com o tamanho dos jogadores de algumas equipes do sul. Conversei com alguns. Eram ex-atletas de seleções de base do Brasil, que teriam perdido o interesse em jogar Handebol de alto nível, pois teriam que mudar para SP. Eram notadamente atletas de famílias abastadas que não viam motivos para passar dificuldades em SP. Ou mesmo, retardar sua formação e tomar conta de negócios familiares. Esses atletas viajaram, investimos em treinamentos, passagens e pararam de jogar. Como resolver? Esse é um fenômeno que acontece em todos os países, mas no Brasil é mais acentuado pelo nosso gigantismo.

    Guerra-Peixe

    (3ª parte)
    Outro grande problema, que me parece já foi abordado por você, é a questão de técnicos no Brasil. Nos meus 20 anos de universidade me deparei com vários jovens, de inúmeras modalidades, que estavam cursando EF apenas para trabalhar com a sua modalidade. Muitas vezes já estavam com equipes de base e outros até mesmo com equipes adultas. Qual o motivo dessa distorção? Os técnicos profissionais, muitas vezes super instrumentalizados, não encontravam uma forma de receber por seu trabalho e acabavam por abandonar o desporto. No Handebol se forçar um pouquinho cito 50 nomes de profissionais com inúmeros cursos internacionais que não militam na modalidade por falta de pagamento. Quem substituiu? Meninos com conhecimento de jogador, muitas vezes com formação acadêmica duvidosa. Imagina o produto desse trabalho? Mas qual o motivo do garoto aceitar e o professor não? Ele pouco ou nada recebe, faz apenas por amor e a esperança que um dia vai receber. Aí o garoto faz curso, se instrumentaliza e pára por não receber aquilo que entende ser justo. Está fechada a cadeia de técnicos que nada ganham. Entendo como justa o Bolsa Atleta. Mas precisamos urgentemente dar conta de remuneração para profissionais dos desportos.
    Em outra direção, vejo algumas pessoas abordando resultados como uma coisa simples. O Brasil era assim e continua assim, ou pior. Em 1995 o resultado foi assim agora estamos assado. As coisas não são tão simples. Tivemos fomento nos últimos 10 anos que superam tudo que sempre foi dedicado ao handebol. Mas se olharmos para o resto do mundo, os recursos no handebol cresceram de forma assustadora em todos os países de ponta. Nunca esqueço que em Atlanta, conversando com um judoca brasileiro, ele me apontava os franceses como formadores de uma grande equipe. Depois descubro que a França tinha gasto com sua equipe de judô mais que toda a equipe olímpica brasileira, excetuando o nosso futebol. As diferenças continuam abissais e se refletem na quadra e nos resultados.
    Mas concordo que precisamos avançar muito, Mas todos! Cada um fazendo o seu. Inclusive a mídia, pessoas como você que colocam o dedo nas feridas são importantíssimas para oxigenar e mexer com a rapaziada que está no comando. O que não podemos é no momento de grandes dificuldades a pessoa vir somente para bater. Até atletas renomados aparecem na hora que a barca está adernando e jogam contra. Penso que o atleta tem que participar. Porém, tem que dar mostra de que é atleta em todos os sentidos. Muita gente com telhado de vidro fininho está jogando pedra e se escondendo. Vamos lá rapaziada! Vamos tentar mudar, mas democraticamente.
    Kiko, mais uma vez obrigado pelo espaço. Acredito que através do que escrevemos podemos contribuir e ajudar a elucidar problemas dessa coisa chamada esporte no Brasil.
    Forte abraço.

    Tulio

    Kiko gostaria de saber se vc e Guerra Peixe tem convênios já q grande parte dos comentários postados são dele, ou se o Peixe tem a escama presa para se doer tanto, algumas federações de handebol já possui em seus estatutos . O presidente não pode ser reeleito por mais de uma vez,pq a CBHb não copia, será q é pq não é mais espinha e sim filé

    Kiko Andrade

    Não, Túlio, não tenho convênio e nem tenho que agradar a ninguém. E se o cara tá lá há 20 anos, sete mandatos, é pq algo bom lá tem. Ninguém iria fazer isso somente pelo grande amor ao esporte...

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